Objetivo Principal

O objetivo deste blog é construir e compartilhar experiências em Educação Musical para crianças. A ideia principal é estabelecer um repertório de músicas escritas especialmente para crianças, seus autores e os meios materiais de sua origem.



sexta-feira, 16 de junho de 2017

PIXINGUINHA PARA CRIANÇAS




Pixinguinha nasceu dia 23 de abril de 1898, no Rio de Janeiro. Seu nome era Alfredo da Rocha Viana Filho, mas ganhou um lindo apelido da avó que o chamava Pizidim, um nome africano, formado por duas palavras que querem dizer: pizin - bom e dim - menino.  

Desde pequeno teve contato com a música através de sua família. Seu pai era flautista e seu irmão Henrique ensinou-lhe a tocar cavaquinho. Nas reuniões de músicos que haviam em sua casa,  o menino participava das rodas de chorinho e mesmo quando ficava tarde e seu pai mandava-o dormir, ele ficava ouvindo do seu quarto e no dia seguinte tocava os chorinhos de ouvido para seu professor Irineu de Almeida.

Aos poucos começou a acompanhar seu pai nos bailes para tocar e compôs sua primeira música "Lata de Leite" aos 11-12 anos de idade.

Autor de centenas de valsas, sambas, choros e polcas foi, segundo Sérgio Cabral, um flautista genial. Primeiro músico a fazer orquestrações brasileiras para a música popular e maior compositor de música instrumental do Brasil. Admirado por muitos compositores, reuniu em sua obra beleza, sofisticação e brasilidade. Fez arranjos para intérpretes famosos como Carmem Miranda, Francisco Alves e Mário Reis.

Aos 14 anos, Pixinguinha começou a trabalhar como músico nos cabarés famosos do Rio de Janeiro e entrou para a orquestra do Cine Teatro Rio Branco, como flautista. Sua primeira gravação foi o chorinho "São João Debaixo d´Água" de Irineu de Almeida.
Com o conjunto musical "Os Oito Batutas", Pixinguinha tocou com Donga, Nelson Alves, China, Raul Palmieri, José Alves e Luís Oliveira. O grupo foi o primeiro regional brasileiro a viajar em excursão para a Europa em janeiro de 1922.

Pixinguinha foi um representante da cultura e da cidade do Rio de Janeiro. Com muitos amigos, era um boêmio, frequentador assíduo de bares, ganhando até mesmo o seu nome gravado em ouro na sua mesa, no Bar Gouveia, situado na Travessa do Ouvidor.

Tocou na Orquestra Típica Pixinguinha-Donga e no Grupo da Velha Guarda. Suas composições estão gravadas em dezenas de discos e muitas delas ganharam letras de Braguinha, Vinicius de Moraes, Hermínio Bello de Carvalho e Paulo César Pinheiro, entre outros.

Autor de "Carinhoso", "Rosa", "Naquele Tempo", Pixinguinha contou em depoimento realizado no Museu da Imagem e do Som, tendo como um dos entrevistadores Hermínio Bello de Carvalho, que as músicas que mais o agradavam eram "Ingênuo", a segunda parte, e "Porque Sofres", a terceira parte.

Gostaria de destacar aqui algumas frases que famosos disseram sobre ele:


"Se fosse necessário resumir a música popular brasileira em uma palavra, esta seria Pixinguinha."
"Que outro nome, além de Pixinguinha – ele que é instrumentista, compositor, orquestrador, chefe de orquestra e tudo isso de forma genial – poderia realmente melhor representar a música popular brasileira de todos os tempos?"
(Ary Vasconcelos)




"A benção, Pixinguinha, tu que choraste na flauta todas as minhas mágoas de amor" (Vinicius de Moraes)


"Amor da minha vida. Gênio querido e humano" (Tom Jobim)

Pois, bem... Sempre gostei de Pixinguinha, de chorinho, de música instrumental brasileira. Entre as tantas lembranças, heranças que me couberam da minha mãe, trouxe um livro-CD organizado por Hermínio Bello de Carvalho: "Pixinguinha - 100 anos". Fui ouvindo aqueles dois CDs, prestando muita atenção e fiquei maravilhada com uma descoberta (tardia, talvez...): Pixinguinha fez música para crianças!
Já conhecia muito bem o "Samba na Areia". O CD traz uma série chamada "Brincando com os Bichos" com as composições: "O Gato e o Canário", onde a flauta e o saxofone brincam juntos, "Urubatã", que quer dizer pássaro em africano, "Pula Sapo", "Marreco quer Água" e o "Samba do Urubu". Estas músicas, inspiradas nos sons e nos movimentos dos animais, mostram a genialidade do autor na exploração dos sons onomatopaicos nas melodias.

Além destas músicas, outras que são alegres e tem nome de animais no título, como: "Cercando  Frango", "Salto do Grilo" e "Papagaio Sabido" sugerem uma aproximação com o universo infantil. Segundo Henrique Cazes, músico e produtor musical, Pixinguinha foi pioneiro em compor música para crianças no Brasil.

Henrique Cazes foi produtor musical do CD que acompanha o livro "Pixinguinha para Crianças - Uma Lição de Brasil". O livro da editora Multiletra, traz ilustrações de Guto Nóbrega, texto de Rosa Amanda Strausz e organização de Carlos Alberto Rabaça e conta a história do autor, sua infância, sua carreira, seus amores e sua arte. No CD, 12 faixas com composições de Pixinguinha escolhidas pela leveza, pelas letras engraçadas, pelas histórias que narram e pela doçura que expressam.







No ano de 2013 os músicos Daniel Fernandes, Milena Sá e Marcelo Cebukin criaram um espetáculo em que contam a história e a obra de Pixinguinha. Junto com Joana Saraiva, Bernardo Diniz e Luzia de Mendonça, o espetáculo que une música e performance com bonecos, máscaras e brinquedos obteve muita aceitação pelo público e mostrou que o repertório de Pixinguinha pode, ainda hoje, atrair pessoas de todas as idades.
O vídeo abaixo mostra um pouco do trabalho do grupo.

https://vimeo.com/129146942






O Dia Nacional do Choro é dia 23 de abril, data que marca o nascimento de Pixinguinha. Ele faleceu em 1973 aos 75 anos de idade.


Ouçam "O Canário e o Gato" gravado em 1949 com Pixinguinha no saxofone.






domingo, 28 de maio de 2017

Que bicho será que botou o ovo?




Quando pensei no dia das Mães, na escolinha onde trabalho, resolvi falar sobre o ovo. Já tínhamos trabalhado com ovos por ocasião da Páscoa e, pela proximidade das datas, achei interessante continuar com o mesmo assunto, assim poderíamos explorar mais o tema com as crianças.
Mas por que o ovo?
Comecemos por ler um trecho do lindo poema de João Cabral de Melo Neto, "O Ovo da Galinha":

...
No entanto, se ao olho se mostra
unânime em si mesmo, um ovo,
a mão que o sopesa descobre
que nele há algo suspeitoso:

que seu peso não é o das pedras,
inanimado, frio, goro;
que o seu é um peso morno, túmido,
um peso que é vivo e não morto.
...
No entretanto, o ovo, e apesar
de pura forma concluída,
não se situa no final:
está no ponto de partida.
...

Lindo, não? Para ler o poema na íntegra consulte o endereço:
http://releituras.com/joaocabral_oovo.asp
Pesquisei vários livros de literatura infantil e muitas músicas e escolhi este livro do escritor Ângelo Machado - "Que bicho será que botou o ovo?" pela simplicidade do texto e por ser capaz de instigar a curiosidade das crianças pequenas.
Ao apresentar o livro para as crianças começamos a falar sobre os bichos que botavam ovos, alguns muito conhecidos, outros nem tanto. Foi possível fazer uma pesquisa com elas sobre os animais: como são seus ovos (grandes, pequenos, de casca mole, dura), onde eles costumam botar os ovos e como cuidam dos filhotes quando nascem.
Ao ler um pouco sobre o autor do livro, descobri que ele queria mesmo, através de seus livros, ensinar biologia e ciência para as crianças. Que homem interessante este Ângelo Machado! Mineiro de Belo Horizonte, nasceu em 1934. Formado em Medicina, especializou-se em neurobiologia e entomologia, escreveu mais de cem artigos científicos sobre o tema, descreveu 48 novas espécies e quatro gêneros de libélulas, bicho pelo qual tem paixão desde os 15 anos de idade. Trabalha como ambientalista e preocupa-se com as espécies ameaçadas de extinção.

No entanto, há mais de 20 anos, descobriu uma outra habilidade, ou seria vocação? Escrever para crianças. Primo de Maria Clara Machado, seu primeiro livro  "O Menino e o Rio" foi devolvido pela editora que alegava que este não serviria como literatura, pois ensinava muitas coisas, e nem mesmo como ecologia, pois os bichos da história falavam... Incentivado por um amigo, publicou o livro pela editora Lê e logo se tornou um sucesso.
Segundo Ângelo Machado um bom livro infantil tem que ter história, aventura e humor. Ele disse, em uma entrevista, que o escritor de literatura infantil é mais importante que o de literatura para adultos porque:
"Se os meninos não aprenderem a gostar de ler livros infantis, nunca lerão os livros de literatura para adultos. Se um adulto lê um livro e não gosta, ele deixa de lado e procura outro. O menino fecha o livro e não lê nunca mais."
A coleção "Que Bicho Será?" é considerado pelo autor como a coisa mais importante que fez na vida. Segundo ele, os cinco livros da coleção apresentam problemas que preocupam os personagens e desenvolvem nas crianças, que estão descobrindo como é o mundo e para que servem as coisas,  a curiosidade, que é a principal motivadora da pesquisa científica. Outra coleção escrita pelo autor é "Gente Tem, Bicho Também".
O livro "Que Bicho Será que Botou o Ovo?" foi ilustrado por Roger Mello, autor de belíssimos livros-imagem e primeiro brasileiro a vencer o prêmio Hans Christian Andersen na categoria ilustração em 2014.
Algumas outras obras de Ângelo Machado: "O Boto e seus Amigos", "Chapeuzinho Vermelho e o Lobo-Guará", "O Esquilo Esquecido", "O Livro do Pé", "O Menino e a Rã", "A Outra Perna do Saci", "O Rei Careca", "A Viagem de Tamar, a Tartaruga Verde do Mar", "A Mula com Cabeça", entre outros.



domingo, 7 de maio de 2017

MARCUS JOSÉ VIEIRA



Hoje gostaria de apresentar mais um educador musical muito bom: Marcus Vieira. Marcus já nos cativa por seu sorriso e alegria, mas sua criatividade gigantesca em criar ritmos partindo de copos, baldes, canetas e muitos outros objetos nos deixa sem palavras!



Marcus trabalha com educação musical há mais de dez anos.  Como professor atua em escolas, cursos de graduação, formação de professores e oficinas. Através de seu site MUSIPED e de seu canal no Youtube ele disponibiliza um rico material para professores, mostrando que é possível fazer música utilizando objetos simples, sem grandes investimentos e acessível a todos os alunos.
Seus cursos MUSICOPOS, BATUCATUDO E BATUCANETAS são muito ricos. Eu já participei dos dois primeiros e posso assegurar que, além de serem muito bons, são fáceis de aplicar em sala de aula com nossos alunos e as crianças adoram!
Frequentemente ele disponibiliza Minicursos gratuitos, onde é possível ter uma ideia do curso. Para participar destes minicursos basta cadastrar o seu email no site para receber todas as informações sobre eles.

No site também é possível baixar gratuitamente seus dois E-books: "Aprendendo a Batucar" e "Como construir 10 instrumentos musicais".

Atualmente ele vem trazendo aos seus seguidores no Facebook uma série desafiadora: batucar utilizando 100 objetos diferentes. Tenho acompanhado seus vídeos - já são 33. Ele batuca com tesoura, balde de lixo, porta, cadeira, trena, pente, porta, entre muitos outros. Sensacional!!!!
Disponibilizo seus endereços, acompanhe:



terça-feira, 28 de março de 2017

MARCELO SERRALVA






Hoje gostaria de falar de outro grande educador, que admiro pelo seu trabalho e também por sua generosidade: Marcelo Serralva.
Marcelo Serralva mora no Rio de Janeiro. É músico, professor em escolas de ensino fundamental e infantil e compositor. Seu trabalho musical começou como a Turminha do Tio Marcelo. Possui o site Musiqueducando onde compartilha vários vídeos sobre dicas e atividades de musicalização. Criador de pequenos poemas para crianças e contador de histórias, Marcelo também é desenhista e ensina as crianças a desenhar.
Em seu site:
e em seus canais:

Marcelo compartilha suas composições, cria personagens animados, conta histórias, ensina a construir instrumentos musicais e a desenhar.
No site Musiqueducando disponibiliza cursos livres de Musicalização e Contação de Histórias online, em ambiente virtual, a preços bem acessíveis e de grande qualidade. Já participei de dois cursos "Contar Histórias com Música" e "Atividades Musicais para Bebês".
Marcelo compõe músicas com muito carinho. Tenho apresentado suas composições para meus alunos com ótima receptividade. No nosso teatro de final de ano, em 2016, nós cantamos "Água" e "Antigamente" de sua autoria. Também é compositor de "Canção para todas as mães", "Pai, meu super-herói" e "Essa é só mais uma Canção de Natal". Gosto muito de sua canção de acolhida "Bom dia Amiguinho" e da brincadeira "Malamalenga".
Marcelo gravou 3 CDs: "Turminha do Tio Marcelo", "Turminha do Tio Marcelo 2" e "Historinhas Musicais". Gravou 2 DVDs "Clipes Turminha do Tio Marcelo" e "Marcelo Serralva - Coletânea de Vídeos". Na loja virtual de seu site também estão disponíveis duas apostilas "Descomplicando a Musicalização - Atividade Musical para Não-Músicos" e "Projeto Musical - Como Poderei Viver... sem a água!". 







Seu primeiro livro de poesias, dedicado ao público infantil "Preticências" reúne poemas que falam sobre a identidade racial de forma bem lúdica e leve. Um trechinho do que vamos ler:
Já pensou que louco seria
se as histórias um dia
tivessem a cor da gente?





O projeto Preticências e outras mirabolâncias traz poemas, contos e vídeos que podem ser compartilhados e usados nas escolas sem restrições.
Outro trabalho bem interessante de Marcelo é "O Homem-Banda". Bem que eu gostaria de morar no Rio de Janeiro para vê-lo tocando e cantando. Com instrumentos de sopro amarrados ao pescoço, um bumbo nas costas, pratos no joelho, um ukulele nas mãos, Marcelo toca, canta e encanta seus ouvintes em festas, eventos e até mesmo nas ruas da cidade.


Marcelo está sempre acompanhado por sua esposa, a Marissa de Britto e sua filhinha que é uma graça de menina: Mariane. Confiram!




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

ESTÊVÃO MARQUES


Tenho acompanhado o trabalho de muitos novos educadores musicais brasileiros. Uma nova geração que sabe usar a internet para compartilhar seus conhecimentos e ideias. Entre eles está o grande Estêvão Marques! Como admiro este rapaz! Admiro sua obra, suas músicas, mas principalmente sua generosidade. Aprendo sempre com ele que parece ser uma fonte inesgotável de criatividade: um criador de Mirabolâncias incríveis!



Estêvão Marques é formado em Música na Faculdade Santa Marcelina em São Paulo. Formou-se no The San Francisco Internacional Orff Course, ministrou oficinas em países como Turquia, Argentina, Itália, Colômbia, Finlândia, Holanda, entre outros. Atua como arte-educador e contador de histórias, além de ser excelente percussionista e pesquisador da cultura musical infantil. Filho de Francisco Marques (Chico dos Bonecos) já viajou para muitos lugares deste mundo e aproveita suas andanças para descobrir novos instrumentos, novos jeitos de cantar e dançar, novas músicas. 

Em 2013 lançou o livro "Colherim - Ritmos Brasileiros na Dança Percussiva das Colheres" onde apresenta suas experiências para produzir ritmos a partir das colheres. Utilizando diferentes técnicas e estilos musicais brasileiros, Estêvão ensina como utilizar esse instrumento tão simples para fazer música, com muita alegria e criatividade. O livro vem acompanhado de um DVD, assim você pode ver como tocar e ouvir o som dos ritmos propostos no livro. 


Estêvão trabalhou com a dupla Palavra Cantada, participando de vários shows como "Canções Curiosas", "Pé com Pé" e "Carnaval Palavra Cantada". Fez parte da equipe responsável pelo projeto "Brincadeiras Musicais da Palavra Cantada" lançado em 2010. Já tocou com Chico César, Antônio Nóbrega, com o grupo Barbatuques e integrou o grupo de percussão e dança Batuntã.
Tem um maravilhoso trabalho junto ao grupo Triii, formado também por Marina Pittier e Fê Sztok. Vale a pena visitar a página do grupo no youtube. Tem muita música legal:


Com o grupo Triii, Estêvão lançou a série "Histórias que Cantam". São três livros publicados pela editora Melhoramentos: "A Sopa Supimpa", "Pão, Pão, Pão" e "Ei, Ei, Ei, Vanderlei". Baseadas em contos tradicionais infantis as histórias são contadas com muita música, diversão e brincadeiras. 

                                                        


                                         

 Outro trabalho lindíssimo do grupo é "Brasil for Children: 30 Canções Brasileiras". São músicas conhecidas do nosso folclore e de outros cancioneiros infantis, apresentados com muito carinho e com grande sensibilidade. O grupo faz uma releitura trazendo novos ritmos e explorando timbres variados, tudo apresentado num livro muito bonito, bem ilustrado e com muitas informações adicionais.




Estêvão apresenta também um trabalho em parceria com Francisco Marques, o livro "Muitas Coisas, Poucas Palavras" onde assina a direção musical do CD encartado no livro. Criou o curso online "Baile do Colherim" que tem reunido muitos educadores interessados em conhecer suas técnicas.

Vale a pena se inscrever em sua página: 

http://www.estevaomarques.com/

e também no seu canal no youtube:

  
Tenho certeza de que todos irão concordar comigo - só temos que agradecê-lo por sua obra maravilhosa e pela gentileza de compartilhá-la conosco sempre.
 


Falando de Rosas

Estava procurando uma cantiga para as crianças dançarem na festa junina da escolinha. Esta música é uma graça e neste arranjo ficou melhor ainda. Apreciem!