Objetivo Principal

O objetivo deste blog é construir e compartilhar experiências em Educação Musical para crianças. A ideia principal é estabelecer um repertório de músicas escritas especialmente para crianças, seus autores e os meios materiais de sua origem.



domingo, 9 de setembro de 2018

FOLCLORE: A INFLUÊNCIA PORTUGUESA - MÚSICAS, LENGALENGAS E BRINCADEIRAS.



No mês de agosto fiz um trabalho com minha turma do 3º Ano sobre folclore. Como eles estavam desenvolvendo um projeto sobre ervas medicinais e plantando ervas na horta da escola, resolvi começar por canções como Alecrim, Manjerico e Erva-Cidreira. Todas estas canções são de origem portuguesa. 
Os portugueses foram responsáveis pela formação inicial da nossa população. A língua portuguesa é falada em todo o país.
No folclore brasileiro um grande número de festas e danças, trazidas pelos portugueses, foram incorporadas como: a Cavalhada, o Fandango, as Festas Juninas e a Farra do Boi. As crianças brasileiras são ninadas com cantigas de origem portuguesa como Bãobalalão, Sai Bicho Papão e Senhora Santana.  
Canções como Pirulito que já bateu, Machadinha, Viuvinha, Alecrim são de origem portuguesa. Nas lendas temos a Cuca, o Lobisomem, a Cabra Cabriola e o Bicho Papão. Nas danças encontramos a Cana Verde, a Ciranda e o Pezinho.
Muitos jogos que brincamos também chegaram ao Brasil por meio dos portugueses: o jogo de saquinhos, a amarelinha, a bolinha de gude, o jogo de botão, o pião e a pipa.
A canção Erva-Cidreira foi gravada por Estêvão Marques no CD-Livro 'Brasil for Children", uma preciosidade que todos deveriam conhecer!

ERVA-CIDREIRA

Ó erva-cidreira, que estás na varanda,
Quanto mais te rego, mais pendes pra banda.
Mais pendes pra banda, mais a rosa cheira,
Que estás na varanda, ó erva-cidreira.

Ó erva-cidreira, que estás no telhado,
Quanto mais te rego, mais pendes pro lado.
Mais pendes pro lado, mais a rosa cheira,
Que estás no telhado, ó erva-cidreira.

Ó erva-cidreira, que estás no jardim,
Quanto mais te rego, mais pendes pra mim.
Mais pendes pra mim, mais a rosa cheira,
Que estás na varanda, ó erva-cidreira.

Uma música que agradou muito as crianças foi "Uma Casa Portuguesa", composição de Artur Fonseca com letra de Reinaldo Ferreira e Vasco Matos Sequeira, imortalizada na voz de Amália Rodrigues.

Aproveitei para trabalhar também com as Lengalengas. Lengalengas são textos bem curtos, com rima ou não, onde se repetem palavras ou expressões e são fáceis de decorar. Podem estar ligadas à brincadeiras e jogos infantis e são transmitidas de geração em geração, algumas são cantadas a centenas de anos.
Aqui no Brasil chamamos as Lengalengas de Parlendas. Estas duas foram retiradas de um livro, disponível na internet: "Velhas Lengalengas e Rimas do Arco-da-Velha".
https://www.luso-livros.net/wp-content/uploads/2013/05/Lengalengas-e-Rimas-do-Arco-da-Velha.pdf



Tem muito material bonito e interessante. Destaco estas duas:

AS TRÊS RATINHAS 

Três ratinhas 
Nos sofás
A beberem
O seu chá.

A primeira ratinha
Uma chávena bebeu.
- Já está!


A segunda ratinha
Duas chávenas bebeu.
- Que bom está o chá!


A terceira ratinha
Bebeu e gostou
Gostou e bebeu
Bebeu e gostou
Gostou e bebeu
E de tanto gostar
Acabou por rebentar.

SOLA, SAPATO

Sola, sapato,
Rei, Rainha
Foi ao mar
Pescar sardinha
Para o filho
Do juiz
Que está preso
Pelo nariz.

Salta a pulga
Na balança,
Dá um pulo
Até a França,
Os cavalos a correr,
As meninas a aprender,
Qual será a mais bonita
Que se vai esconder?


Esta outra lengalenga está no livro: 




Adaptei um arranjo para flauta doce ou canto, pequena percussão e percussão corporal.
A letra é: 

"Réu, réu, vai ao céu
Buscar o meu chapéu.
Se for novo trá-lo cá,
Se for velho deixa-o lá."








sábado, 2 de junho de 2018

O MENINO POETA - Canções e Poemas

Alguns dias atrás tive a oportunidade de assistir Estêvão Marques e Chico dos Bonecos com a história "O Barro e a Nuvem" (vale a pena conferir!!!). Durante a transmissão, Chico dos Bonecos citou alguns autores que tinham voltado suas obras para as histórias, poesias e músicas infantis. Entre eles Antônio Madureira. Fui pesquisar e descobri um LP que me encantou: O Menino Poeta.



Que trabalho bonito!
Antônio Madureira foi autor do projeto, dos arranjos e da regência. Gravado em 1985 pelo Estúdio Eldorado, o LP contem 16 poemas de escritores brasileiros como Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Mário de Andrade, Stella Leonardos, Henriqueta Lisboa, Jorge de Lima, Cassiano Ricardo e Vinicius de Moraes.
Segundo Antônio Madureira:

."...vasculhei a obra dos grandes poetas modernos brasileiros em busca de textos que reinventassem o mágico e o lúdico da cultura infantil."


Segundo o autor, o objetivo do disco era apresentar poemas musicados para crianças e divulgar o trabalho de um conjunto de poetas que se voltaram para a escrita de poemas para leitores em formação.

"Com a minha vivência com a música elementar e minha experiência de compositor, aventurei-me a musicar alguns destes poemas e criar um comentário sonoro para outros que fossem narrados pela atriz Irene Ravache, em boa hora indicada pelo Estúdio Eldorado. Dai nasceram melodias simples, muitas vezes calcadas nas cantigas do cancioneiro folclórico, tudo dentro da nossa tradição musical.
Este LP, “O Menino Poeta”, é uma síntese dos anteriores. É uma reflexão sobre o mundo de alegria e poesia que está errante no inconsciente do sombrio homem dos nossos tempos.”
(Texto extraído da capa do LP, assinado por Antônio Madureira).

O LP é uma obra prima! Além da beleza das canções e dos poemas, conta com a participação de músicos como Toninho Ferragutti, Heraldo do Monte, Zygmunt Kubala, Antônio Carrasqueira, entre outros.
Antônio Madureira é natural de Macau, Rio Grande do Norte. Nascido em 1949 é um músico, maestro, compositor e violonista. Pesquisador da música popular nordestina, passou a integrar o Quinteto Armorial, gravando em 1974 o primeiro LP do grupo. 
O Quinteto Armorial foi organizado, sob orientação de Ariano Suassuna, com o objetivo de criar uma arte brasileira erudita, baseada nas raízes populares da nossa cultura. O trabalho do grupo ficou registrado em 4 CDs.
Antônio Madureira lançou vários discos como "Romançário" em 1996, "Violão" em 1982, "Bandeira de São João" em 1987, "Baile do Menino Deus (Uma Brincadeira de Natal)" em 1983, entre outros. Também participou como regente, arranjador e diretor de produção dos CDs “Brincadeiras de Roda, Estórias e canções de Ninar”  e "Brincando de Roda", ambos pelo Estúdio Eldorado.
Segundo Ariano Suassuna:

"...a música de Antônio Madureira tem, para o Brasil, a mesma importância que a gravura de Gilvan Samico, o romance de Guimarães Rosa e a poesia de João Cabral de Melo Neto."







As músicas e poesias estão disponíveis para apreciação em:

https://www.facebook.com/MaestroAntonioMadureira/videos/1689948867714196/


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ESTORINHAS PARA OUVIR - APRENDENDO A ESCUTAR MÚSICA




No início deste ano, às voltas com os planejamentos de aula de música, encontrei um belíssimo material no site do Projeto Guri. São livros didáticos feitos para uso nos polos do projeto.  Disponibilizados no site, os livros são um rico material para educadores musicais. Dois deles me chamaram atenção, pela área em que atuo e foram desenvolvidos por Enny Parejo.
A partir deles, descobri esta autora e comprei o livro “Estorinhas para Ouvir – Aprendendo a escutar música”. O livro, publicado em 2007, pela editora Irmãos Vitale, é um “livrinho diferente”, segundo a autora. Além de insistir em usar a palavra Estória, que não é mais usada, mas, que nos tempos em que éramos crianças, eu e a autora, era usada para denominar os contos de fada, as fábulas e outras, enquanto o termo História denominava os fatos ocorridos no nosso país ou no mundo, traz não  “estórias”: tem também música e sugestões de atividades de desenho, pintura, escultura, relacionadas ao tema das “estorinhas”.
O mundo em que vivemos está cada dia mais barulhento. As músicas, os ambientes estão mais barulhentos. As pessoas falam mais alto, nas festas não se pode mais conversar, o som está presente em quase todos os momentos. Talvez o silêncio, a quietude nos intimide. As crianças querem falar, não sabem esperar sua vez, não sabem ouvir. Será que só as crianças?
As estorinhas da Enny nos chamam a dar um passo em direção ao mundo silencioso. Parar para ouvir. Ouvir com atenção e desapego. São excelentes como meios para se obter a concentração, o relaxamento e a atenção das crianças. São pequenas estórias, mas tão cheias de significado e imaginação!
O livro vem acompanhado do CD, onde ouvimos as estórias narradas pela Enny Parejo. Depois de cada narração o CD traz uma música sugerida: são pequenas composições de Antônio Ribeiro, selecionadas entre as VIII Miniaturas para Piano.
As ilustrações do livro são da artista plástica Cecília Borelli e as composições para piano foram interpretadas pela pianista Maria Elisa Risarto.


Enny Parejo é doutora em Educação pela PUC de São Paulo, formada em Piano pela Faculdade Paulista de Arte e especialista em Pedagogia Musical. Entre suas obras está o livro "Musicalizar - Uma Proposta Para Vivência dos Elementos Musicais" e diversos artigos sobre educação musical. Atualmente dirige o ATELIER MUSICAL ENNY PAREJO, em São Paulo. Trabalha como professora de Graduação, Pós Graduação e elabora cursos de formação para professores, além de material didático. Quem quiser conhecer mais um pouco de suas ideias é só visitar o site:
Termino minha postagem com as palavras da autora:
“A criança que consegue silenciar para ouvir música conseguirá também silenciar para ouvir os colegas, ouvir o que o professor diz, ouvir os sons que a cercam, e conseguirá colocar-se num estado perceptivo especial. As estorinhas para ouvir podem se tornar amigas das crianças e aliadas do professor na obtenção de um clima tranquilo para iniciar a aula. Este é o maior presente que a educação musical pode oferecer ao processo de educação integral da criança: aprender a ouvir.”

domingo, 17 de setembro de 2017

Rouxinol - Milton Nascimento





Este vídeo faz parte do espetáculo "Ser Minas tão Gerais" com Milton Nascimento, o grupo Ponto de Partida e os Meninos de Araçuaí. Assisti o DVD a pouco e fiquei encantada. Que belo trabalho!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A EURITMIA - JAQUES-DALCROZE


          Quando escrevi o artigo sobre o CD "Cantar o Mundo" descobri que a autora, Elisa Manzano, era professora de Euritmia e Kântele em uma escola em Campinas que seguia a pedagogia Waldorf. Através de pesquisas que fiz, me chamou atenção o termo "Euritmia", que me fez lembrar de Jaques-Dalcroze, educador musical que já conhecia.
          A palavra "Euritmia" já existia desde a época clássica grega, quando em 440 a.C. Polykleitos,  escultor de Argos, a definiu como "o equilíbrio de forças atuantes no corpo humano".
          No início do século XX, Rudolf Steiner resgatou o conceito da Euritmia, segundo o qual:
          "Para formar uma palavra, nós imprimimos no ar um tipo de movimento. As palavras possuem aspectos sensíveis e suprassensíveis dos sons produzidos por via oral. Ao reproduzir essas formas, obtemos a Euritmia, ou seja, uma réplica do gesto expressivo visível e invisível impresso no ar com as palavras. A Euritmia é a transposição do gesto do ar em um gesto de expressão corporal tangível e visível."

          Rudolf Steiner foi idealizador da Antroposofia, termo que significa "conhecimento do ser humano". A Pedagogia Waldorf está entre as realizações práticas da Antroposofia na área da educação.
         Rudolf Steiner, Jaques-Dalcroze e Rudolf Bode (que escreveu a obra "Ginástica Expressiva) foram contemporâneos e buscaram, cada um a sua maneira, utilizar o corpo e o movimento para desenvolver suas propostas de educação. Todos também foram influenciados por Francois Delsarte (1811-1891) e pelo seu sistema expressivo de educação do gesto.



          François Delsarte chegou a conclusão que "o gesto é mais que o discurso", após observar os gestos expressivos de pessoas em diferentes situações e lugares. Estes gestos foram catalogados, analisados por Delsarte, que mais tarde criaria um método que conectava o movimento, a voz, a expressão e a emoção humana, relacionando-os com o teatro, a música e o canto.
          Segundo Delsarte "toda manifestação do corpo corresponde uma manifestação interior do espírito" e todo gesto ou voz nasce de uma emoção, pensamento ou sentimento. Assim o artista deveria considerar qualquer movimento, por menor que fosse, causa ou consequência da sensação, emoção ou sentimento. Esta seria a Lei da Correspondência, um dos princípios em que se fundamenta a análise de Delsarte.
          O outro princípio é a Lei da Trindade, onde defende que o homem é constituído por três elementos: a vida, o espírito e a alma que se manifestam por meio do corpo através da voz (vida), da palavra (o espírito) e do gesto (a alma).
          Delsarte estabeleceu formas de movimento e também analisou o corpo em suas posições expressivas, relacionando cada movimento corporal à uma emoção específica. Seus estudos inovadores foram de encontro ao pensamento que deu origem a Dança Moderna e influenciaram vários estudiosos do corpo e do movimento do século XX.
          Voltando a Dalcroze e a Euritmia...
          Para Dalcroze a Euritmia consistia na correspondência entre o movimento corporal e o som. A prática musical antecede ao aprendizado teórico. Então explorar, experimentar, descobrir, aprender e analisar são princípios básicos do processo de educação musical.
         Segundo Dalcroze todos os elementos musicais podem ser vivenciados através do movimento. O corpo seria o primeiro instrumento musical a ser treinado, existindo um gesto para cada som e um som para cada gesto.
          Os ritmos do corpo - a respiração, o coração, o caminhar - devem ser conectados com a música para que o movimento do corpo possa ser utilizado para desenvolver o senso rítmico, a expressão, a concentração e a espontaneidade.



         Jaques-Dalcroze nasceu em 1865 e faleceu em 1950. Foi um defensor da aproximação da arte com o povo e da educação musical para todos. Segundo ele, toda ação artística seria um ato educativo e deveria ser destinado a todo cidadão, seja ele criança, jovem ou adulto.
          Algumas ideias importantes de Dalcroze foram:
- a educação musical desde a mais tenra idade, sendo o corpo e a voz os primeiros instrumentos musicais;
- a escuta consciente que leva à compreensão dos elementos constituintes da obra musical e de seus aspectos expressivos;
- a ação corporal é fonte, instrumento e condição de todo conhecimento;
- música e movimento, em sua interação com o homem, constituem uma unidade.
          O sistema Dalcroze de educação musical organiza-se em movimentos e atividades destinados a desenvolver atitudes corporais básicas, que são necessárias a conduta musical, trabalhando a escuta ativa, a sensibilidade motora, o sentido rítmico e a expressão. Os exercícios visam estimular a concentração, a memória e a audição interior, promovendo uma reação corporal a um estímulo sonoro.



          Já estamos no século XXI e ainda hoje é de extrema importância conhecer e revisitar o trabalho de educadores como Jaques-Dalcroze. Junto com Edgar Willems, Zoltán Kodály, Carl Orff e Shinichi Suzuki, Dalcroze faz parte da primeira geração de educadores no ensino de música. Todos eles tinham preferência em tornar o aprendizado de música uma experiência de vida, enfatizando a importância do movimento e do canto na aprendizagem musical. Assim podemos usufruir das contribuições dessas abordagens para enriquecer a área da Educação Musical no lugar onde vivemos.

          Deixo abaixo alguns textos que li para poder escrever este artigo. Vale a leitura.

- O livro "De Tramas e Fios - Um Ensaio sobre Música e Educação" de Marisa Trench de Oliveira Fonterrada é muito bom e tem um capítulo específico sobre este assunto.

- Método Dalcroze: perspectivas de aplicação no canto coral - José Fortunato Fernandes.
http://www.ufmt.br/ufmt/unidade/userfiles/publicacoes/8cfd0c0b195efbf577516fd1a04aad58.pdf


- Métodos Ativos - Dalcroze/Willems - Marli Batista Ávila.
http://www2.anhembi.br/html/ead01/pedag_musical/aula4.pdf


- Ginástica Expressiva - José Rafael Madureira.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-73072008000200016


- Artigo sobre Delsarte e Dalcroze.
https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/9209/2/AndreiaComSeg02.pdf


- A Música Corporal como Ferramenta Pedagógica para a Musicalização - Jefferson Ramos.
http://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/35944/Jefferson%20Ramos.pdf?sequence=1&isAllowed=y


- O Sistema de François Delsarte, o Método de Émile Jaques-Dalcroze e suas Relações com as Origens da Dança Moderna - Elisa Teixeira de Souza.
http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/9475/1/2011_ElisaTeixeiradeSouza.pdf



quarta-feira, 28 de junho de 2017

CD - CANTAR O MUNDO








Um dos CDs que considero mais preciosos na biblioteca da minha escola é este: "Cantar o Mundo" de Elisa Manzano e Paula Mourão.










                 
Gravado entre março de 2004 e junho de 2005, o CD contem 54 faixas com músicas, parlendas e poesias que, agrupadas em rodas, falam de temas diferentes relacionados a épocas do ano, suas festividades e estações. Utilizando como instrumentos o violão, a flauta, alguns instrumentos de pequena percussão e o xilofone, as autoras trazem, em cada faixa, muita musicalidade, sensibilidade e emoção aos ouvintes. Ouvimos também sons de tubos de PVC, carrilhão de chaves, papel amassado, apitos de pássaros e berimbau, sons que enriquecem as faixas e despertam a curiosidade e a percepção auditiva dos ouvintes.

Começamos com uma breve acolhida e com a Roda Rítmica do Verão. Não tem música mais bonita para falar de chuva com os pequenos que "Cai a Chuva". Falar, cantar e sonorizar...

"Cai a chuva miudinha,
 cai a chuva lá do céu
Vou abrir meu guarda chuva
E botar o meu chapéu.
Tra-la la la la la.

Uma forte trovoada
Faz a chuva desabar
Escorrendo na calçada
Minha roupa vai molhar.
Tra-la la la la la.


Mas o sol por entre as nuvens
Já começa a espiar
E no céu um arco-íris
Vem a Terra enfeitar.
Tra-la la la la la."



Em seguida vem a Roda Rítmica da Páscoa com a história da lagarta e sua metamorfose.
A Roda Rítmica "Diferentes Povos" é encantadora. Conforme o trenzinho vai andando encontramos músicas do folclore espanhol, francês, alemão e inglês.

Para as festas juninas temos a Roda de São João com as parlendas da Paçoca, da Pipoca e da Fogueira. Tudo feito com muito carinho.
Depois de falar do Saci Pererê, vem a Roda da Primavera:

"Entrei num jardim com flores,
Não sei qual escolherei...
Escolho a mais formosa,
Com ela eu dançarei..." 

Para terminar a Roda Rítmica do Pastorzinho.

Segundo as autoras o objetivo deste trabalho é: "incentivar o resgate da cultura e da linguagem musical como ferramentas pedagógicas fundamentais para despertar a sensibilidade, o senso rítmico, a imaginação e a criatividade tanto da criança quanto do próprio educador, passando pelas esferas afetiva, estética e cognitiva."

Elisa Manzano é pedagoga, formada pela UNICAMP. Estudou Euritmia e Pedagogia Waldorf na Alemanha e atua como professora em Campinas. Exerce atividade junto ao Ateliê Pulsando Som, Instrumentos Musicais Artesanais, cujo endereço na internet é:
http://pulsandosom.com.br/






Paula Mourão é terapeuta social, trabalhando com pessoas com deficiência intelectual e múltipla. Ministra cursos de Danças Circulares e é regente do coral do Encontro Brasileiro de Danças Circulares e Sagradas.





Vale a pena conferir!





sexta-feira, 16 de junho de 2017

PIXINGUINHA PARA CRIANÇAS




Pixinguinha nasceu dia 23 de abril de 1898, no Rio de Janeiro. Seu nome era Alfredo da Rocha Viana Filho, mas ganhou um lindo apelido da avó que o chamava Pizidim, um nome africano, formado por duas palavras que querem dizer: pizin - bom e dim - menino.  

Desde pequeno teve contato com a música através de sua família. Seu pai era flautista e seu irmão Henrique ensinou-lhe a tocar cavaquinho. Nas reuniões de músicos que haviam em sua casa,  o menino participava das rodas de chorinho e mesmo quando ficava tarde e seu pai mandava-o dormir, ele ficava ouvindo do seu quarto e no dia seguinte tocava os chorinhos de ouvido para seu professor Irineu de Almeida.

Aos poucos começou a acompanhar seu pai nos bailes para tocar e compôs sua primeira música "Lata de Leite" aos 11-12 anos de idade.

Autor de centenas de valsas, sambas, choros e polcas foi, segundo Sérgio Cabral, um flautista genial. Primeiro músico a fazer orquestrações brasileiras para a música popular e maior compositor de música instrumental do Brasil. Admirado por muitos compositores, reuniu em sua obra beleza, sofisticação e brasilidade. Fez arranjos para intérpretes famosos como Carmem Miranda, Francisco Alves e Mário Reis.

Aos 14 anos, Pixinguinha começou a trabalhar como músico nos cabarés famosos do Rio de Janeiro e entrou para a orquestra do Cine Teatro Rio Branco, como flautista. Sua primeira gravação foi o chorinho "São João Debaixo d´Água" de Irineu de Almeida.
Com o conjunto musical "Os Oito Batutas", Pixinguinha tocou com Donga, Nelson Alves, China, Raul Palmieri, José Alves e Luís Oliveira. O grupo foi o primeiro regional brasileiro a viajar em excursão para a Europa em janeiro de 1922.

Pixinguinha foi um representante da cultura e da cidade do Rio de Janeiro. Com muitos amigos, era um boêmio, frequentador assíduo de bares, ganhando até mesmo o seu nome gravado em ouro na sua mesa, no Bar Gouveia, situado na Travessa do Ouvidor.

Tocou na Orquestra Típica Pixinguinha-Donga e no Grupo da Velha Guarda. Suas composições estão gravadas em dezenas de discos e muitas delas ganharam letras de Braguinha, Vinicius de Moraes, Hermínio Bello de Carvalho e Paulo César Pinheiro, entre outros.

Autor de "Carinhoso", "Rosa", "Naquele Tempo", Pixinguinha contou em depoimento realizado no Museu da Imagem e do Som, tendo como um dos entrevistadores Hermínio Bello de Carvalho, que as músicas que mais o agradavam eram "Ingênuo", a segunda parte, e "Porque Sofres", a terceira parte.

Gostaria de destacar aqui algumas frases que famosos disseram sobre ele:


"Se fosse necessário resumir a música popular brasileira em uma palavra, esta seria Pixinguinha."
"Que outro nome, além de Pixinguinha – ele que é instrumentista, compositor, orquestrador, chefe de orquestra e tudo isso de forma genial – poderia realmente melhor representar a música popular brasileira de todos os tempos?"
(Ary Vasconcelos)




"A benção, Pixinguinha, tu que choraste na flauta todas as minhas mágoas de amor" (Vinicius de Moraes)


"Amor da minha vida. Gênio querido e humano" (Tom Jobim)

Pois, bem... Sempre gostei de Pixinguinha, de chorinho, de música instrumental brasileira. Entre as tantas lembranças, heranças que me couberam da minha mãe, trouxe um livro-CD organizado por Hermínio Bello de Carvalho: "Pixinguinha - 100 anos". Fui ouvindo aqueles dois CDs, prestando muita atenção e fiquei maravilhada com uma descoberta (tardia, talvez...): Pixinguinha fez música para crianças!
Já conhecia muito bem o "Samba na Areia". O CD traz uma série chamada "Brincando com os Bichos" com as composições: "O Gato e o Canário", onde a flauta e o saxofone brincam juntos, "Urubatã", que quer dizer pássaro em africano, "Pula Sapo", "Marreco quer Água" e o "Samba do Urubu". Estas músicas, inspiradas nos sons e nos movimentos dos animais, mostram a genialidade do autor na exploração dos sons onomatopaicos nas melodias.

Além destas músicas, outras que são alegres e tem nome de animais no título, como: "Cercando  Frango", "Salto do Grilo" e "Papagaio Sabido" sugerem uma aproximação com o universo infantil. Segundo Henrique Cazes, músico e produtor musical, Pixinguinha foi pioneiro em compor música para crianças no Brasil.

Henrique Cazes foi produtor musical do CD que acompanha o livro "Pixinguinha para Crianças - Uma Lição de Brasil". O livro da editora Multiletra, traz ilustrações de Guto Nóbrega, texto de Rosa Amanda Strausz e organização de Carlos Alberto Rabaça e conta a história do autor, sua infância, sua carreira, seus amores e sua arte. No CD, 12 faixas com composições de Pixinguinha escolhidas pela leveza, pelas letras engraçadas, pelas histórias que narram e pela doçura que expressam.







No ano de 2013 os músicos Daniel Fernandes, Milena Sá e Marcelo Cebukin criaram um espetáculo em que contam a história e a obra de Pixinguinha. Junto com Joana Saraiva, Bernardo Diniz e Luzia de Mendonça, o espetáculo que une música e performance com bonecos, máscaras e brinquedos obteve muita aceitação pelo público e mostrou que o repertório de Pixinguinha pode, ainda hoje, atrair pessoas de todas as idades.
O vídeo abaixo mostra um pouco do trabalho do grupo.

https://vimeo.com/129146942






O Dia Nacional do Choro é dia 23 de abril, data que marca o nascimento de Pixinguinha. Ele faleceu em 1973 aos 75 anos de idade.


Ouçam "O Canário e o Gato" gravado em 1949 com Pixinguinha no saxofone.






Falando de Rosas

Estava procurando uma cantiga para as crianças dançarem na festa junina da escolinha. Esta música é uma graça e neste arranjo ficou melhor ainda. Apreciem!